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A crise que domina os setores da Segurança Pública do Ceará sofreu um agravamento nas últimas 48 horas, quando o governo do Estado determinou que a Controladoria Geral de Disciplina espalhasse suas equipes de agentes nas ruas para impedir que policiais civis e militares dessem uma resposta diante da onda de assassinatos e ameaças de morte contra a categoria.

Durante todo o fim de semana, equipes da antiga Corregedoria da Polícia, hoje rebatizada de Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD), passaram a circular em viaturas ostensivas e descaracterizadas nos bairros onde policiais foram mortos, feridos ou estão sob ameaça dos criminosos.

Assim aconteceu na tarde do último sábado (14), quando várias equipes da CGD passaram a circular pelo Jardim Iracema e bairros vizinhos da zona Oeste de Fortaleza, com a missão de intimidar e até prender qualquer policial militar que ali estivesse fora do trabalho e que fosse à procura dos bandidos que, horas antes, mataram o cabo PM José Marques Ferreira. O militar foi baleado e morto durante tentativa de assalto a uma agência lotérica, na Avenida Lineu Machado, no bairro João XXIII.

O mesmo aconteceu dois dias antes, na quinta-feira (12), após uma chacina que deixou 11 mortos nos bairros Lagoa Redonda, Curió e no Conjunto São Miguel, na Grande Messejana. As equipes da CGD foram deslocadas para as três comunidades depois de denúncias de moradores do São Miguel à Imprensa, quando acusaram “policiais fardados” (sem mencionar a corporação) de terem invadidos residências e assassinado pessoas inocentes.

A chacina ocorreu horas após a morte de um policial militar durante um assalto na Lagoa Redonda. O soldado PM Valtemberg Chaves Serpa reagiu contra dois bandidos que atacavam sua esposa e foi executado com um tiro no peito.

Determinação

Na sexta-feira (13), o governador do Estado, Camilo Santana (PT), se reuniu com o secretário da Segurança Pública e Defesa Social, Delci Teixeira; e com a coordenadora chefe da CGD, procuradora de Justiça Socorro França, para tomar providências em relação à apuração da chacina. Foi determinado, então, que a Controladoria passasse a ir às ruas como forma de frear o ímpeto daqueles policiais que estariam à caça aos assassinos dos colegas de farda.

Com essa atitude do Palácio da Abolição, a crise na Segurança mergulhou definitivamente na sua pior fase, agora com a revolta da tropa e o avanço da criminalidade. No domingo (14), aumentaram as ameaças de delinqüentes aos agentes da Segurança, culminando em vários ataques contra unidades das polícias Civil e Militar. No Conjunto José Walter, bandidos atearam fogo numa viatura Hilux da Polícia Civil, no pátio do 8º DP. Já no bairro Montese, desconhecidos atiraram contra o quartel da 3ª Companhia do 6º BPM.

Em conseqüência dos atentados, a Segurança Pública entrou em alerta máximo. Policiais civis de folga foram chamados para reforçar a vigilância nas delegacias. O Quartel do Batalhão de Polícia de Choque (BpChoque), no Centro, foi isolado. Helicópteros da Ciopaer passaram a sobrevoar a cidade durante toda a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira (16). Nas redes sociais, bandidos postaram novos vídeos ameaçando os agentes públicos. Apenas um suspeito foi detido. Um paulista que circulava em um veículo importado, uma BMW. Ele seria integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que tem base em São Paulo, mas controla diversos presídios no País.

Escolas vazias

Nas ruas, a sensação da população é de medo. Nos bairros onde ocorreu a chacina, escolas voltaram a funcionar nesta segunda-feira depois de fechadas durante quatro dias. Ainda assim, o número de estudantes presentes é baixo. A segurança particular de várias empresas instaladas na Grande Messejana foi reforçada. Linhas de ônibus que passam pelo Curió, Lagoa Redonda e Conjunto São Miguel continuam alteradas, diante do temor de ataque com incêndio dos coletivos.

Edição: Fernando Ribeiro
jornalismo@cearanews7.com.br
FOTO: google imagens

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