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Quinze anos de praça e cinco assaltos sofridos, sendo o último no mês passado. Mesmo acostumado com a violência nas ruas do Rio, o taxista Valdeci Silva, de 43 anos, ainda não conseguiu se recuperar da sua última viagem, da Rua Haddock Lobo, no Estácio, até o Hospital Souza Aguiar, no Centro. Foi ele quem socorreu a dona de casa Cristiane de Souza Andrade, 46, morta a facadas após dizer que não tinha dinheiro em um assalto, na noite desta quinta-feira. Durante o trajeto, que durou cerca de 15 minutos, a filha de 7 anos fez de tudo para reanimar a mãe.
Cristiane estava cambaleando com a faca presa no pescoço, quando o taxista foi abordado pela menina de 7 anos pedindo socorro. A dona de casa ainda conseguia falar, e chegou suplicar a ajuda do taxista. Enquanto Valdeci dirigia, a filha tentava ajudar a mãe dentro do carro. Ele ficou surpreso com a reação da garota diante da situação.
— A menina foi uma heroína. O tempo todo reanimando e falando para a mãe respirar. Só começou a chorar e entrar em choque quando chegou ao hospital e viu que a mulher não reagia mais. Ela é uma menina excepcional — disse o taxista, que gravou um vídeo mostrando o desespero da menina esperando a mãe ser atendida.
O taxista Valdeci tem um filho quase da mesma idade da filha de Cristiane
O taxista Valdeci tem um filho quase da mesma idade da filha de Cristiane 
Antes de chegar ao hospital, o taxista recebeu a ajuda de dois policiais militares, que abriram caminho para o táxi chegar mais rápido no destino. Quando eles deram entrada na unidade de saúde, a mulher demorou cerca de dez minutos para ser atendida, porque não havia maqueiros à disposição.
— Eu entrei em pânico tentando ir até o hospital. Dois policiais militares escoltaram o meu carro no caminho e também me ajudaram muito. Eu acredito que ela não iria sobreviver porque jorrou muito sangue. Não dormi e passei a madrugada tentando limpar o sangue, mas não foi suficiente — contou.
Mulher foi enterrada no Caju
Mulher foi enterrada no Caju 
O corpo de Cristiane foi enterrado por volta das 17h30m no Cemitério do Caju, na Zona Norte do Rio. Sua mãe passou mal e não pôde ir ao enterro. A filha também não estava presente.
Nesta sexta de manhã, havia uma patrulha da PM na Praça do Telégrafo e também motos da corporação circulando pelo local. Em nota, a PM informou que o policiamento na região é realizado diariamente com motos, carros e também a pé.
O marido da vítima sofre da câncer
O marido da vítima sofre da câncer 
"A Assessoria de Imprensa esclarece que segundo o comando do 4º BPM (São Cristóvão), o policiamento naquela área é realizado diariamente com motos, viaturas e a pé, além de operações de trânsito com o objetivo de reduzir ações criminais na região. O comandante solicita que as vítimas façam registros na Delegacia para que o Batalhão possa mapear a mancha criminal.A vítima pode também ligar para o Disque-Denúncia através do telefone: (21) 2253-1177 ou para o 190".
‘A gente não vê um policial’, diz amigo em velório de mulher morta a facadas no Rio
Os parentes da dona de casa Cristiane de Souza Andrade, de 46 anos, morta com duas facadas no pescoço na Rua Haddock Lobo, no Estácio, reclamaram do aumento da violência no bairro. Segundo eles, é crescente o número de usuários de drogas que se concentram em vielas e na praça do metrô, onde acontecem a maioria dos assaltos. O corpo de Cristiane foi enterrado por volta das 17h30, no Cemitério do Caju, na Zona Norte do Rio. Sua mãe passou mal e não pôde ir ao enterro.
Parentes ficaram muito abalados
Parentes ficaram muito abalados 
Moradora do Estácio há 25 anos, Cristiane foi morta durante um assalto, na noite desta quinta-feira, após dizer ao bandido que não tinha dinheiro. Ela havia saído de casa para fazer compras no mercado, por volta de 20h30, hora que a rua costuma ser bastante movimentada. Enquanto o corpo era enterrado, parentes e amigos se despediram com músicas e orações. Eles também reclamaram do número de assaltos e a falta de policiamento no bairro.
— É um bairro pequeno com poucas ruas. Mas ficam muitos usuários de drogas na praça do metrô, onde acontece a maioria dos roubos. Uma amiga já tinha levado uma facada na perna e a gente não vê um policial, um guarda municipal. No máximo passam uma viatura de ronda a cada meia hora, mas não é suficiente — disse o assessor Eduardo Cataldo, de 37 anos, amigo da vítima e morador do bairro.
O crime aconteceu em um local próximo de onde há diversos prédios de órgãos públicos, como o Hospital Central da PM, a Policlínica da Polícia Civil, o Centro de Comando e Controle do Governo do Estado , o Centro de Operações da Prefeitura, além da própria Prefeitura.
De acordo com moradores, na quinta-feira, horas antes de Cristiane ser ferida, um motorista foi assaltado na Rua Sampaio Ferraz, onde ela morava.


extra.globo.com

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