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Ao O Povo Online, Guilherme lamenta: "Perdi meus empregos. Continuo afastado literalmente, não quiseram ouvir minha versão, mas não julgo o hospital"

O médico Guilherme Capel Pasqua, de 25 anos, que no dia 27 do último mês postou uma foto na rede social "ridicularizando" um paciente, disse em entrevista ao O POVO Online que tudo não passou de uma "brincadeira". Capel estava de plantão no Hospital Santa Rosa de Lima, em Serra Negra, São Paulo, onde atendeu o mecânico José Mauro de Oliveira, de 42 anos. Após o procedimento, o médico postou uma foto em um grupo do Facebook em que mostrou o receituário com o seguinte dizer: "Não existe peleumonia e nem raôxis".

"Eu quem publiquei a 'brincadeira' no grupo de amigos. A foto foi publicada em seguida toda descontextualizada, dizendo inclusive que eu estava tirando 'onda' com a cara do paciente. Eu não estava tirando 'onda' com a cara de ninguém. Sou a última pessoa que faria isso. Sempre estudei com bolsas, saí de casa com 16 anos, fiz faculdade pública. Eu sei como é que é. A 'brincadeira' querendo ou não é um contexto social que a define. Reconheço que não foi uma 'brincadeira' legal. ", afirma.



  

A publicação foi retirada após gerar polêmica no Facebook
Após a repercussão negativa, o jovem médico pediu desculpas em rede social a todos os brasileiros que se ofenderam com a postagem. No comunicado, ele assumiu o erro e afirmou que está arrependido. Mediante a exposição do hospital Santa Rosa de Lima, Capel se retratou e ficou à disposição de uma Organização Não Governamental (ONG) que ajuda o hospital à realizar plantões voluntariados. Além disso, ele será professor voluntário de alfabetização para idosos em um igreja de São Paulo. Segundo Pasqua, após o pedido de desculpas, tornou-se amigo de José Mauro.

Guilherme foi afastado do Hospital Santa Rosa de Lima após a publicação da foto se tornar um grande debate entre os moradores de Serra Negra. "Perdi meus empregos. Continuo afastado literalmente, não quiseram ouvir minha versão, mas não julgo o hospital", ressalta. O médico Capel continua atendendo esporadicamente na capital paulista, mas nada fixo.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) irá avaliar a conduta do médico. Diante do Cremesp, Guilherme não teme perder o direito de exercer a profissão. "O Conselho Regional de Medicina olha para todos os fatos. Vai me ouvir, ouvir o paciente e ver o prontuário médico. O paciente está do meu lado", conta Capel.

Recomeço

Formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), o médico terá um recomeço na carreira longe do Brasil. Guilherme passou na prova de medicina australiana e deve ir morar com seu irmão, que já reside na Austrália há muito tempo. Por enquanto, Capel está no Brasil, mas já tem visto aprovado. "Estou no aguardo das oportunidades", finaliza.

O que diz o Código de Ética Médica

De acordo com o conselheiro Antônio Cavalcante Holanda do Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará, o médico não pode de nenhuma maneira expor o paciente em rede social mesmo o paciente autorizando. Em relação a sindicância, Holanda afirma que o relator solicita a abertura de processo. Em seguida, o relator terá de dizer os artigos que o médico infringiu. Por falta de provas o processo poderá ser arquivado.

O Conselho de Ética Médica aprovado no dia 24 de setembro de 2009, diz que o médico deverá buscar o melhor relacionamento com o paciente e a garantia de maior autonomia à sua vontade.

Procedimento
O Povo Online tentou contato com o paciente José Mauro, que não atendeu as inúmeras ligações.

O Povo

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