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"Se os dados oficiais de infectados pela febre chikungunya no Ceará já são alarmantes, eu tenho certeza que eles são de 10 a 20 vezes maiores que isso. É preciso decidir o que sai mais caro, o conhecimento ou a ignorância sobre a realidade que estamos vivendo". Essas observações foram feitas pelo médico infectologista Ivo Castelo Branco Coêlho, coordenador do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Seus questionamentos estão relacionados à subnotificação da doença. "As autoridades da Saúde têm que se pronunciar sobre isso. É preciso analisar todos os custos. Na minha opinião, não ter o diagnóstico da situação pode sair muito mais caro". Segundo o pesquisador, além de agravar problemas de saúde pré-existentes, a chikungunya pode gerar sequelas articulares para o resto da vida. Ele explica que, pelo protocolo de atendimento atual, passados três meses, o paciente deve ser encaminhado ao reumatologista para tratamento de artrite reumatoide.
Ivo Castelo Branco detalha que se trata de uma doença incapacitante, que pode ter inúmeros agravamentos. "Quem diria que levaria à morte por insuficiência respiratória, a derrames ou problemas oculares? Todos os dias eu estudo a aprendo sobre ela. Já tenho pacientes infectados há dois anos", revela. Quanto às pesquisas relacionadas ao tratamento, o médico afirma que é preciso ter paciência quando se faz ciência.
O pesquisador destaca que municípios como Pedra Branca, que não apresenta infestação do Aedes aegypti há anos, nada mais fizeram do que aplicar o conhecimento repassado em cursos sobre o combate ao vetor. "Numa situação explosiva, como a atual, tem que haver uma aplicação de medidas a serem tomadas", diz.

Esquecimento - Ele faz questão de enfatizar que, apesar de se tratar de uma doença nova entre nós, que chegou aqui na época da Copa do Mundo, em meados de 2014, só existe pela presença do mosquito Aedes aegypti. "Enquanto existir o mosquito, todo ano, no primeiro semestre, teremos pessoas adoecendo e, no segundo semestre, todos esquecem, tanto as autoridades quanto a população e a própria imprensa", sentencia.
"A manutenção do Aedes tem vários culpados, pela falta de envolvimento e comprometimento da população e das autoridades em geral, que deveriam orientar e dar condições regionalizadas para controle do vetor". Ivo Castelo Branco lembra que, no dia 29 de março, foi apresentado o aplicativo Aedes em Foco, para um grupo de pessoas de instituições públicas, diretamente ligadas ao trabalho de combate ao mosquito, em encontro coordenado pelo Reitor UFC, Henry de Holanda Campos.
A ferramenta, que já está disponível para download nos sistemas Android e IOS, é resultado de uma ideia do próprio pesquisador - referência nacional em doenças tropicais - desenvolvida pelo Instituto UFC Virtual, sob a coordenação do professor Henrique Pequeno. Com mais de 8 mil casos notificados, numa média de 92 casos para 100 mil habitantes, o Ceará tem a maior taxa de incidência da febre chikungunya do País.
*** Informações com Diário do Nordeste

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